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Desde a última terça-feira, 2, aproximadamente 65 famílias do movimento dos trabalhadores rurais do sul do Estado ocuparam a unidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Itabuna. “Nós ocupamos aqui pra pressionar o órgão a resolver nossas reivindicações. Estamos com assentamentos pendentes desde 2007, além da morosidade o INCRA não consegue atender a solicitação dos movimentos”, afirma Hegino Filho, coordenador da Reforma Agrária do Pólo Sindical.
De acordo com os documentos encaminhados pelos trabalhadores rurais à unidade de Itabuna, alguns assentamentos apresentam estruturas precárias, como falta de água, energia, transporte, escolas, assistência técnica para produção e estradas. O documento também apresenta as situações de irregularidades de projetos de assentamentos nos municípios de Gandu, Santo Antônio, Arataca e Nova Vitória, em Ilhéus. Outra reivindicação é a liberação de créditos de habitação para as famílias assentadas.
“Aqui o colégio só está no papel, falta energia, falta a estrada de acesso para o assentamento e as casas parecem casinha de pombo. É um desrespeito pra gente que quer morar e poder trabalhar com a terra”, desabafa Everaldo Martins, de 65 anos, morador do assentamento de Nova Vitória.
Elias Jacob, chefe da unidade dde Itabuna se encontra em Salvador e informou que está ciente do fato e em reunião com os dirigentes para analisarem a situação da unidade de Itabuna. A assessoria do órgão rebateu algumas reivindicações dos trabalhadores rurais.
“A obtenção de terras é um processo demorado, leva-se no mínimo dois anos e meio até que sejam cumpridas todas as etapas exigidas na legislação agrária, tais como o licenciamento ambiental e o parecer da justiça. As reclamações de estrutura nem todas são competências do Incra. A energia elétrica é responsabilidade do programa Luz para todos" do governo federal. Estamos afazendo o possível dentro da legalidade”, explica a assessoria.
Nesta quinta, 4, uma comissão de trabalhadores rurais chega na sede do Incra, em Salvador, para discutir a questão e negociar a desocupação da unidade de Itabuna. Os trabalhadores afirmam que se não forem ouvidas as reclamações o protesto continua e que mais famílias ocuparão a unidade.